Quinze Dias | Produção entrega um romance adolescente divertido, mesmo com marcas profundas para a comunidade LGBTQIA+
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| Créditos: Manequim Filmes / Netflix |
Eis que vi Quinze Dias (2026) e só posso dizer que nada é mais delicioso do que anos após a sua adolescência, ver um filme e no fim se sentir feliz em ser representado e ter um final feliz para a sua história.
O filme de Daniel Lieff chegou ao catálogo da Netflix e já é sucesso em diversos territórios, e este é um romance adolescente e principalmente LGBTQIA+. A produção é baseada no livro de Vitor Martins e estrelado por dois queridos, os atores Miguel Lallo e Diego Lira.
Aqui acompanhamos a vida de Felipe (Lallo), que cresceu sempre gordo, e criou uma personalidade em volta disso, se isolando, e não fazendo coisas que gosta por conta das provocações, e ainda se soma o fato dele ser abertamente gay. Sua mãe Rita (Débora Falabella) é total apoiadora do filho e tem uma relação deliciosa de se acompanhar, mas tudo vira de cabeça para baixo quando ela resolve ajudar a vizinha e receber o filho dela, Caio (Lira), por 15 dias em sua casa...
Ver as coisas saindo de ordem e a contagem para que tudo acabe logo, é muito legal, pois vamos criando esse ranço por Caio ao lado de Felipe, e suas necessidades e mudanças, as ligações com outros jovens, o bullying, tudo é muito bem explorado e vamos nos distanciando de um personagem e nos aproximando cada vez mais do outro, que tem um humor mais ácido e grande conhecimento da cultura pop e geek.
Todo o desenrolar do filme abordando esses sentimentos dos dois, nos coloca em um ponto chave com a enteada da jovem Beka (Mika Soeiro), que traz leveza a Felipe com a forma que lida com o corpo e a amizade com Caio, abrindo assim a grande virada para o jovem. Seu algoz é gay.
A partir deste momento temos grande desenvolvimento de amizade até culminar no amor destes dois heróis na visão de um garoto que eles ajudam na aceitação do corpo e em como confrontar os outros.
As enganações, os momentos de dúvidas entre os dois é bem explorado, mas o que muda tudo é a relação de família, em como as mães encaram as coisas de formas tão diferentes e com forças quase opostas, mesmo que o caminho único que querem mostrar é o amor pelos filhos. Falabella entrega uma mãe tão agradável e forte, cheia de cultura e amor, enquanto Mariana Santos é mais dura e cheia de regras com sua Sandra.
Quinze Dias mostra mais uma vez a potência do nosso cinema para contar histórias de vários gêneros e aqui nos entrega leveza e diversão, não caindo no exagero que podemos ter na obra e no assunto tratado. O longa entra em um grande significado para mim, ao lado de Eu Não Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro.
Nota: 🟊🟊🟊⯪☆

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